Um prodigioso esquecimento

 

Por que a porta do quarto que ocupara aquele sacerdote não se abria? E que luz era aquela, que se fazia ver pelo buraco da fechadura? O hospedeiro estava intrigado com tais prodígios…

 

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Autora: Diana Carolina López López

 

Eram duros os tempos das primeiras missões evangelizadoras da América do Norte. Muitos habitantes daquelas terras não conheciam a Religião de Cristo e os apóstolos eram em número insuficiente para levar a todas as almas a verdadeira Fé. “A messe é grande, mas os operários são poucos” (Mt 9, 37), diz a Escritura. Mas, gradualmente, com o auxílio da graça, a Santa Igreja ia-se estabelecendo naquelas vastidões territoriais, como a gota de azeite se espalha silenciosamente pela folha de papel.

 

No povoado de Santa Maria dos Anjos, onde já todos eram católicos fervorosos, exercia seu fecundo apostolado o padre Jorge. Levantava-se de madrugada, passava uma hora de adoração a Jesus Hóstia e em seguida celebrava a Santa Missa. Hauria, assim, as forças para a labuta de cada dia. Cuidava da catequese das crianças e dos adultos, dirigia a escola e o hospital local, administrava os sacramentos, visitava os enfermos de toda a região.

 

Certo dia, chamaram-no para atender um doente em estado grave, que morava bem longe do povoado. O Sol já estava baixando, não tardaria a anoitecer. O pároco aprontou-se rapidamente, pegou os Santos Óleos para a Unção dos Enfermos e preparou tudo para levar o Santo Viático.

 

Valério, o sacristão, ofereceu-se para acompanhá-lo, pois a viagem era longa e não isenta de perigos, mas o sacerdote achou melhor que ele ficasse, para cuidar da igreja. Ele então selou o cavalo e ajudou o padre Jorge a montar, já com o Santíssimo Sacramento numa pequena teca, que levava dependurada ao pescoço, dentro de uma delicada bolsa.

 

Fustigando a montaria para acelerar a marcha, o pároco percorreu em pouco tempo vários quilômetros. Mas… aconteceu o inesperado: desabou um forte temporal, as escuras nuvens e o aguaceiro toldavam as últimas réstias de luz do Sol que ainda iluminavam aquela estrada cheia de acidentes e obstáculos. E o padre viu-se obrigado a parar numa pequena hospedaria, muito simples, mas limpa e ordenada.

 

Curiosamente, ali se abrigara, forçado também pela tempestade, um mensageiro do enfermo, enviado para comunicar-lhe que este dava sinais de recuperação e, portanto, já não era tão urgente a ida do sacerdote.

 

Tranquilizado por essa notícia, o padre Jorge tomou essa coincidência como um sinal da Providência e decidiu pernoitar ali, para não expor o Santíssimo Sacramento aos numerosos riscos de uma viagem sob a borrasca.

 

Ocupou um quarto no segundo andar, onde preparou da melhor forma possível um pequeno armário para servir de tabernáculo. Nele depositou a Sagrada Hóstia, pôs-se de joelhos e rezou durante algum tempo, depois trancou a porta e desceu para o refeitório, onde já estava servido o jantar.

 

Ali foi informado, em conversa com outros hóspedes, que o dono do hotel e sua família eram pagãos. Por prudência, evitou tudo quanto pudesse revelar que ele levava consigo Nosso Senhor Sacramentado e, terminada a refeição, recolheu-se sem demora ao seu quarto-capela, preparandose para partir cedinho no dia seguinte.

 

Quando raiou o Sol, estava já ele a cavalo, para reiniciar sua viagem.

 

No meio do caminho, levou instintivamente a mão ao peito para sentir a presença do Santíssimo Sacramento e percebeu que a preciosa teca não estava aí! Encomendando-se à Santíssima Virgem, fez meia-volta, esporeou o animal e partiu de volta a todo galope.

 

Cruzando o portal da hospedaria, o padre Jorge saltou da cavalgadura e correu à procura do hoteleiro:

 

– Senhor, desculpe, mas alguém mais ocupou o quarto em que pernoitei?

 

Surpreso, ele lhe respondeu:

 

– Não, senhor padre. E que bom o senhor ter voltado, porque, desde a sua partida, fizemos de tudo para abrir a porta daquele quarto e não conseguimos. O que fez o senhor para deixar a chave emperrada na fechadura de maneira que ninguém consegue girá-la?

 

Impressionado, o sacerdote disse:

 

O piedoso sacerdote foi invadido por uma grande alegria: essa luz
só podia ser fruto de um milagre

 

– Nada. Apenas deixei lá a chave…

 

– É, mas além de não conseguirmos abrir a porta, vê-se pelas frestas que o quarto está iluminado por uma luz desconhecida. O senhor deixou alguma vela acesa ali?

 

O piedoso sacerdote, que já tinha passado da terrível apreensão para a tranquilidade, foi invadido por uma grande alegria: essa luz só podia ser fruto de um milagre. Teriam os Anjos do Céu vindo fazer companhia a Jesus Sacramentando, protegendo-O de qualquer sacrilégio ou mesmo de simples irreverências?

 

– Vamos lá. Vou tentar abrir a porta.

 

E subiu rapidamente as escadas. O hoteleiro seguiu atrás, acompanhado da esposa, dos filhos, dos criados e até de vários hóspedes, todos desejosos de desvendar aquele mistério.

 

Lá chegando, padre Jorge girou a chave e abriu a porta com toda facilidade. Imaginem sua emoção ao ver que daquele armário – o tabernáculo por ele improvisado – saía uma luz celestial, enquanto músicas angelicais se faziam ouvir dentro do quarto.

 

Pondo-se de joelhos, adorou, comovido ao extremo, o Rei dos reis que quis manifestar-Se daquela maneira para atrair mais almas a Seu Sacratíssimo Coração Eucarístico.

 

Em seguida, explicou a todos o que se passara. Entre atônitos e maravilhados, foram-se ajoelhando um a um… Agora nenhum deles duvidava da Presença Real de Jesus na Eucaristia! O hoteleiro pediu para receber o Batismo, junto com toda a sua família.

 

O padre Jorge não podia abandonar essas almas que o próprio Senhor conquistara por meio de tão prodigioso fato! Passou, pois, alguns dias no hotel, ensinando-lhes as belezas e as verdades da Fé Católica. Durante esse tempo, a Sagrada Eucaristia permaneceu no seu precário tabernáculo, recebendo a adoração do hoteleiro, de sua família e de vários habitantes da região. Muitos destes também se converteram, de modo que o padre Jorge teve a alegria de ministrar o Batismo a uma pequena multidão de novos filhos da Santa Igreja.

 

Por fim, foi à casa do enfermo que, uma semana antes, havia solicitado sua assistência, e o encontrou já curado.

 

O Senhor quis, Ele mesmo, operar prodígios em favor de sua messe!

 

(Revista Arautos do Evangelho, Set/2009, n. 93, p. 44-45)

 

5 Responses to “Um prodigioso esquecimento”

  1. Emerson Maria disse:

    MEU DEUS EU CREIO E ACREDITO NO SANTÍSSIMO SACRAMENTO , COMO ESTAMOS PRÓXIMO DA FESTA DE CORPUS CRISTI É MAIS UMA HISTÓRIA DA FÉ QUE VOU CONTAR PARA MEUS FILHOS E AMIGOS.
    OBRIGADO , SALVE MARIA!

  2. adriao adriano teixeira da costa filho disse:

    Salve Maria!
    A ação do Espírito Santo manifesta-se de modo até certo ponto incompreensível e lenta para nós, leigos, mas, para aqueles cheios e convictos da verdadeira fé cristã, há sempre o seu reconhecimento e compreensão imediatos. É isso que arrebata os corações claudicantes dos que ainda não se deram conta do quanto Cristo vive em nós, que nos ama verdadeiramente e que Sua luta pela nossa salvação é incansável e cheia de maravilhas constantes. Nós é que muitas das vezes não conseguimos entendê-las direito. Eu mesmo sofro com isso, mas sei que Deus me perdoa e auxilia quando preciso.
    A Paz de Deus esteja sempre conosco!
    Salva Maria!

  3. [email protected] disse:

    Salve Maria, tudo oque sou agora devo aos Arautos e as suas fabulosas Historia que cadavez lidas ou contadas para mim enchem-me de fe. A esplicacao do evangelho, faz-me entender melhor tudo que Cristo quis e esta a ensinar-nos. Muito obrigado Arautos do evangelho. Ivo Henriques de Mocambique.

  4. Paulo disse:

    Jesus tem maneiras de se manifestar, e não precisa de luxo. Quando Ele quer conquistar novas almas, demonstra sinais que tocam no fundo da alma da criatura que de perdido é reencontrado, de enfermo se encontra sarado.

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